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A Hstória dos Novos Baianos

Em 26.03.2008 às 19:03 por Aninha D'Aguiar

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Dia 03 de dezembro de 2007 foi lançado o Livro ” A História dos Novos Baianos e Outros Versos”, de Morais Moreira. Ele dividiu o livro em duas partes, a primeira em forma de cordel que acompanha um CD em que ele mesmo lê os versos com algumas intervenções musicais acompanhando de seu filho, Davi Morais. Na segunda parte há uma seleção de letras de músicas nas quais ele acrescentou notas onde explica suas particularidades.

Que a música dos velhos Novos Baianos continua viva, influenciando jovens artistas e conquistando novos fãs, ninguém duvida.
Recentemente, o clássico “Acabou chorare” foi escolhido o melhor na lista dos cem discos da música brasileira de todos os tempos, segundo votação realizada pela revista “Rolling Stone”. Agora, reforçando essa onda, um dos fundadores do grupo — e o primeiro a largar a lendária comunidade musical e cair na estrada para seguir carreira solo —, o cantor, compositor e violonista Moraes Moreira, que completou 60 anos em julho passado, dá a sua versão da epopéia novobaiana num livro em linguagem de cordel, “A história dos Novos Baianos e outros versos”, que será lançado hoje no Rio.

Filmes inéditos vão virar DVD Para nostálgicos, agora que dinossauros sacodem a poeira e saem atrás de reforço para suas finanças — dos Mutantes ao Led Zeppelin, do Police às… Spice Girls —, essa seria a hora certa. Mas, escaldado pela frustrante experiência de 1997, quando o grupo lançou “Infinito circular” e fez uma turnê, Moraes descarta a hipótese.

— Para os Novos Baianos existirem, era essencial vivermos juntos, em comunidade, respirando música o tempo todo. Na época (início dos anos 70), quando vinham nos perguntar onde a gente ensaiava, nossa resposta era: “A vida é um ensaio” — relembra ele, que levou cerca de três meses para escrever os 966 versos do cordel.

Novos Baianos, portanto, nunca mais. Mas o livro — lançado pela Língua Geral Editora, acompanhado de um CD no qual o cantor lê o cordel e que traz, na segunda parte, poemas inéditos e letras de sua fase solo — reforça o mito. É também o primeiro passo para a recuperação da obra do grupo. Os principais discos ganharam nos últimos anos versões em CD, e, agora, Moraes acena com raridades: o lançamento de registros em cinema e vídeo do grupo. Até o momento, são quatro DVDs na fila.
— Em 1972, quando a gente vivia no sítio Cantinho do Vovô (na Estrada dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio), Solano Ribeiro ofereceu para uma emissora de TV alemã o projeto de um documentário sobre o grupo. Ele filmou nosso cotidiano, a gente fazendo música, jogando bola, cuidando das crianças. Isso só foi exibido lá, na época, com legendas em alemão — conta Moraes, que já tem a cópia em DVD.

Desse mesmo período há dois outros raros registros. Um, mais musical, é a participação deles no programa “Ensaio”, que Fernando Faro dirigiu para a TV Cultura, com clássicos como “Acabou chorare”, “Preta, pretinha” e “Dê um rolê”. O outro é um íntimo documentário, feito também no sítio-comunidade, pelo fotógrafo Pedro de Moraes (filho de Vinicius). Por fim, o cineasta baiano Henrique Dantas fez agora o documentário “Filhos de João” (João que, claro, é o Gilberto), com cenas de arquivos e entrevistas com os músicos do grupo e gente ligada a eles, como o designer tropicalista Rogério Duarte e o cantor e compositor Tom Zé.

Tom Zé, como é narrado no cordel, foi quem apresentou, em 1968, o jovem Antônio Carlos Moreira Pires, recém-chegado de Ituaçu, no interior da Bahia, ao seu futuro letrista, (Luiz Dias) Galvão — este, nascido em Juazeiro, também a terra de João Gilberto. A partir daí, são introduzidos cada novo novobaiano: Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, os irmãos Pepeu e Jorginho Gomes, Dadi Carvalho, Charles Negrita, Baixinho e Bolacha — os dois últimos, já mortos.

Antes e depois de João Gilberto Eles estrearam em Salvador, em 1969, com o show “Desembarque dos bichos e depois do dilúvio”.

Um ano depois, desembarcaram em disco com “É ferro na boneca”, soando como órfãos roqueiros do tropicalismo. Mas só a partir do segundo, “Acabou chorare”, lançado em 1972, que o mito em torno do grupo iria se justificar. Ali nasce uma simbiótica fusão de samba, choro e rock. Para isso foi fundamental o hilariante encontro com João Gilberto. Certa noite, toca a campainha no apartamento em Botafogo (antes de a comunidade se mudar para o sítio), e o baixista Dadi (depois um dos fundadores da Cor do Som e hoje no grupo de Marisa Monte) se assusta com o senhor em roupas formais na porta.Parecia um policial, só que, no lugar de uma intimação, o pai da bossa nova apresentou-os a velhos e então esquecidos sambas.

— João foi quem nos disse para olharmos para dentro da gente.

Graças a ele descobrimos um sem sil que, então, não nos interessava — conta Moraes, que vê na guitarra de Pepeu Gomes a junção de Jacob do Bandolim e Jimi Hendrix.

O terceiro disco, “Novos Baianos F.C.” (1973), é outro clássico. O compositor ainda participaria do seguinte, “Novos Baianos (Linguagem do alunte)”, em 1974, antes de partir para a carreira solo. Sem, no entanto, cortar de vez o cordão.

— Desde então, a gente vê ciclos de interesse pelos Novos Baianos.

E o atual é muito forte — diz ele, tendo como exemplo mais explícito os Tribalistas Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown.

— E, como a garotada vive me perguntando sobre o grupo, resolvi contar essa história.

A opção pela linguagem do cordel é outro elo com a infância: — Meu irmão mais velho, Zé Walter, é poeta. Lá em casa, fazíamos festivais de poesia, líamos Drummond, Manuel Bandeira. E o cordel é uma arte, com uma estrutura rígida. Se você chegar no Nordeste com um verso capenga, vai ouvir: “Isso não é cordel!”.

A experiência picou o músico, que já planeja novo livro — “Dessa vez em prosa, inspirado no interior baiano, que tem algo de ‘Cem anos de solidão’”. Mas sem largar a música.

O GLOBO, SEGUNDO CADERNO, 03/12/2007

Adorei o tema, a idéia e o jeito do livro, mas ainda não li. Portanto, fiquem a vontade pra me presentear!

2 comentários para “A Hstória dos Novos Baianos”

  1. Rodrigo CL disse:

    Que coisa mais legal!!! =D =D

  2. marcos disse:

    Olá sou da banda Baba de Cobra gostaria de agradecer por ter ouvido nosso trabalho no last fm…Se puder dar uma divulgada no nosso trabalho aqui no seu site agrecemos muito…valeu

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