Esses dias passei por um acúmulo de informações que me fez despertar. Eu sabia o que fazer, como fazer e simplesmente estava imóvel, engessada numa sensação de inutilidade extrema.
Isso tudo por que as vezes a gente cansa de levar a vida e tenta ser levado pelo seu curso incerto. Mas eu não quero me cansar, quero ser um galho forte e de raízes profundas pra que seja difícil ser carregada por qualquer vento, correnteza ou neblina.
Quero a força que perdi quando pensei que sabia de tudo.Quero duvidar e procurar respostas, quero voltar a ser criança e me surpreender a cada passo. A pior coisa da “adultisse” é quando perdemos a capacidade de nos surpreender.
Por vezes me pego querendo ser nada. Como se a não existência pudesse tirar de mim o peso e a fadiga de ser viva. Queria poder como Fernando Pessoa, dizer:
“…Meu ser é a invisível curva / Traçada pelo som do vento…”
Mas, tendo em vista a impossibilidade de sublimar, continuo sendo.
Nem mais, nem menos do que eu mesma.

Quadro de Anita Malfatti, A Ventania.